Da crise à oportunidade

É HORA DE SERMOS CRIATIVOS E INOVADORES


As crises são sempre passageiras. Um provérbio milenar ensina que elas geram oportunidades. Nós, empresários brasileiros, teremos de ser criativos e inovadores e, logicamente, trabalhar muito mais que antes para superarmos a crise que se abateu sobre a economia global. Enxergamos que, apesar dos pesares, 2009 será um ano muito bom. Embora o primeiro trimestre ainda possa registrar turbulência, estamos confiantes que depois a economia tenderá a se ajustar.

A perspectiva é a de que o Brasil não saia totalmente ileso, mas tudo leva a crer que será menos afetado, do que as nações desenvolvidas, pela crise financeira que conduziu à derrubada das bolsas de valores e à quebra de instituições financeiras dos Estados Unidos, principal economia do planeta, gerando uma turbulência que a seguir alastrou-se como epidemia para a Europa, Japão, Leste Europeu e, depois, China e Índia. Os fundamentos de nossa economia vêm mostrando robustez e consistência. Além disso, nosso sistema financeiro mantém-se cada vez mais sólido. Enquanto os bancos brasileiros seguiam rigorosamente o Acordo de Basiléia, que estabelece limites razoáveis de alavancagem, havia bancos nos Estados Unidos que chegavam a emprestar um volume de recursos 35 vezes superior ao valor de seu patrimônio líquido.

Não sabemos se a desaceleração econômica que se registra desde novembro no país tende a crescer ou não. Acreditamos que a tendência é a de estabilização ou até de redução da desaceleração, em função dos pacotes adotados pelo governo federal. Os gurus que nem sempre fazem previsões acertadas apostam que o crescimento do PIB ficará entre 2,2% e 3% em 2009, ou seja, quase metade de 2007 e 2008. Será uma catástrofe? Não, se levarmos em conta que, apesar da turbulência, 2008 foi um ano extremamente positivo para a indústria brasileira, que alcançou um crescimento excepcional em comparação a 2007.

A quinta edição da Panorama do Aço analisa o ano excepcional que tivemos em 2008 e, ao mesmo tempo, mostra as preocupações do setor empresarial diante das incertezas geradas pela turbulência mundial. Em cenários de crise, as previsões são sempre temerárias. De qualquer modo, os empresários, em especial da área metalúrgica, precisam tirar de dentro de suas empresas a idéia do pânico. A eles recomendamos que sejam prudentes. O clima de tempestade poderá gerar uma insegurança no quadro de colaboradores. E, com medo de perder o emprego, as pessoas gastarão menos, o que poderá resultar, aí sim, em uma crise de consumo. Nossas empresas deverão compensar as dificuldades com eficiência competitiva, redução e racionalização de estoques e melhor cobertura de marketing e vendas. Além disso, temos que recorrer ao imenso campo da inovação, que na prática significa ser sempre melhor do que se era antes. Como ensina o provérbio milenar, a crise gera novas oportunidades de crescimento, e devemos estar preparados para aproveitá-las logo ali adiante.